Hollywood, como boa máquina de fazer dinheiro que é, de há alguns anos para cá, tem produzido filmes baseados em comics a um bom ritmo, numa tentativa de atrair os milhões de fãs destes heróis; se é verdade que muitos deles recaem naquele fácil rótulo de “filme de porrada”, nota-se cada vez mais uma crescente preocupação em conseguir transpôr para o grande ecrã a complexidade e maturidade que as histórias dos comics, apesar do que alguns ainda pensam, têm. Segue-se uma lista (não exaustiva) de filmes de super-heróis que já vi, bem como a minha opinião sobre cada um.
Batman (1989) – Um actor principal convincente (Keaton), um vilão caricatural competente (Nicholson) e um realizador que imprime sempre a sua visão única a qualquer filme (Burton) fazem deste filme um clássico do género, mas ainda assim inferior a…
Batman Returns (1992) – Mais e melhor foi a lógica aqui e com grandes resultados; novamente Burton a dar vida à fantasia gótica de Gotham em todo o seu esplendor. E Michelle Pfeifer como Catwoman… ![]()
Batman Forever (1995) – Onde Burton era negrume, Joel Schumacher aposta em cor e excentricidade, uma visão distinta do personagem que valeu ao realizador muito ódio, mas ainda assim alguns milhões.
Batman and Robin (1997) – Mesmo estilo do anterior, com uma diferença: Val Kilmer ainda parecia querer representar o seu personagem, enquanto Clooney nem se esforçou. Tal como Forever, muito inferior aos dois primeiros.
Blade (1998 ) – Não só ressuscitou um personagem obscuro do passado da Marvel, como é um filme de acção acima de média, que entretem enquanto dura. E tem uma das melhores sequências de abertura que já vi.
X-Men (2000) – Embora pouco mais que um filme de porrada, é um que não deixa mal nenhum fã dos comics (excepto os que queriam mesmo muito ver homens adultos em spandex amarelo…). E Patrick Stewart nasceu para ser o Prof Xavier.
Blade II (2002) – Mais uma vez, um bom filme de acção, que para mim supera o original pelo facto de ter um vilão mais carismático. Isso e Ron Pearlman…
Spiderman (2002) – A história de origem nunca é fácil… todos sabem como começa e onde acaba, mas escolhas acertadas (ainda que contestadas) de casting e um cuidado em manter o espiríto da obra original fizeram deste filme um sucesso. Não é uma obra prima, mas bom entretenimento.
Daredevil (2003) – Péssimo. Aqui houve erros trágicos de casting (a começar pelo protagonista) e a acção nem é muito boa; é pena, o personagem merecia melhor.
X-Men 2 (2003) – Mais e melhor acção, o dobro dos personagens e um argumento que põe em foco os temas do comic original (descriminação, preconceito). Um grande filme de super-heróis… Se ao menos o terceiro fosse assim…
Hulk (2003) – Um filme longo e com menos acção do que se esperaria, mas um excelente estudo de personagem… Eu nem gosto do Hulk, mas consegui gostar de ver a profundidade que conseguiram dar a Bruce Banner. Só que, pelos resultados de bilheteira, parece que as pessoas querem mesmo ver é o Hulk a destruir coisas. Ask and you shall receive, como 2008 viria provar.
The League of Extraordinary Gentlemen (2003) – Pegar numa das obras mais amadas e faladas da última década e fazer daí um filme horrível, é feito que merece destaque. Fica a sensação que o realizador/argumentista nem leu a BD original… e quem teve a ideia de juntar lá o Tom Sawyer agente secreto devia ter sido executado na hora.
Hellboy (2004) – Embora este Hellboy seja diferente em termos de personalidade do criado por Mignola, não deixa de se sentir o carinho e o respeito pelo material original, num filme que é diversão do principio ao fim.
The Punisher (2004) – Nunca daria um bom filme… troquem o nome e ficam com “filme de acção genérica n.º 334″.
Spiderman 2 (2004) – Mais Peter Parker, menos Homem-Aranha e temos uma boa sequela.
Catwoman (2004) – Sem margem para dúvidas, um dos dois piores filmes desta lista… é increditavelmente mau. Se querem ver a Catwoman como deve ser, vejam o Batman Returns.
Blade Trinity (2004) – Algo vai muito mal quando um personagem secundário merece ter mais tempo de ecrã que o protagonista… Isso e um vilão pouco convicente fazem desta uma má maneira de acabar a trilogia.
Constantine (2005) – Os fãs tiveram ataques de raiva com as alterações ao original, mas a verdade é que é um filme bastante jeitoso e que consegue divertir.
Elektra (2005) – É genérico, é mau, é demasiado longo… até a actriz principal passa o filme todo com cara de quem se quer ir embora…
Batman Begins (2005) – Apesar das suas diferenças, as Gothams de Burton e Schumacher eram mundos de fantasia; Nolan tenta trazer essa realidade para um plano mais próximo da realidade. Pode ter tido um vilão demasiado série B, mas o que interessava era contar a história de origem, e isso foi feito com grande nível.
Fantastic Four (2005) – Podia ser o melhor filme de sempre que eu nunca gostaria, devido à indiferença que sinto pelo comic. Quem gosta que o julgue.
X-Men 3 (2006) – Havia aqui potencial para contar uma das melhores histórias dos X-men (Saga da Fénix), mas o que temos não é mais que um filme demasiado preocupado em ter uma grande cena de pancadaria no seu final e que toma demasiadas liberdades em matar personagens, comprometendo quem vier a seguir para tentar resolver esta trapalhada.
Superman Returns (2006) – O legado de Reeve seria sempre dificil de superar, mas isto não passa do medíocre e chato.
Ghost Rider (2007) – Nicholas Cage a fazer um papel para alguém dez anos mais novo, num filme que disputa com Catwoman o trono de pior filme de super-heróis de sempre.
Spiderman 3 (2007) – Demasiados vilões, demasiadas histórias para contar, demasiado cabelo ridiculo do Tobey Maguire… uma salada russa que nunca chega a ser o filme que merecia ser (pobre Venom, merecias melhor).
Fantastic Four 2 (2007) – Remeto para o que disse sobre o original. Menção honrosa para um Silver Surfer muito credivel enquanto personagem e em termos gráficos.
Iron Man (2008 ) – A escolha perfeita para o papel de Tony Stark (com Downey Jr. a fazer de si próprio) num filme que é entretenimento puro. Muito bom.
The Incredible Hulk (2008 ) – Mais rápido e com mais acção que o de 2003, mas um filme bastante inferior.
Hellboy II (2008 ) – Um imenso delirio visual e de ideias, que nunca supera o anterior, mas não deixa de ser bom. E Luke Goss é o maior a fazer vilões albinos.
The Dark Knight (2008 ) – Quando quase três horas de filme passam num instante e um actor mediano é elevado ao estatuto de deus da representação, é porque alguém fez o seu trabalho muito bem. Um excelente filme e o melhor do Batman até hoje. Só é pena que nunca mais possamos ver este Joker…

